Bernardo Sassetti, Carlos Barretto e Alexandre Frazão. Um trio fabuloso, com as fotografias de Nuno Boavida em perfeita harmonia com a música...
domingo, 15 de fevereiro de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Triste
A Ana entrou com uma cara muito mais triste do que deveria ter aos 13 anos. Não era o amuo adolescente, esse topa-se a milhas, era algo mais sério. Um traumatismo pouco importante, na escola, tinha-a deixado ligeiramente dorida, mas a dor que sentia era claramente outra. Tinha a cara magra, e as roupas deixavam antever uma figura esquálida. Além da dor, que me pareceu pouco importante, havia algo que eu precisava de perceber: onde estava a fonte de toda aquela tristeza. Ao observa-la apercebi-me da dimensão da sua magreza. Era francamente magra. Pedi-lhe uma radiografia, e quando saíu para a fazer a avó que a acompanhava tentou dizer-me alguma coisa, atabalhoadamente segredando como podia a 2 metros de distância: "A mãe morreu há 1 mês". A Ana apercebeu-se, naturalmente, e lançou um olhar furioso à avó.Ao voltarem - contractura bla bla, chuveiro de água quente bla bla - perguntei-lho directamente. Um pequeno clique e desatou a chorar, as lágrimas que continha há largos minutos. A falta de privacidade e o rebuliço da Urgência não me permitiram uma conversa mais calma, mas precisava de perceber o que se passava para encaminhar a situação adequadamente. Ao longo do último ano a mãe da Ana tinha morrido lentamente, vítima de um cancro maldito. A Ana, rapariga que era de constituição razoável, foi aconselhada por um Ortopedista a não aumentar de peso - as dores que sentia nas costas não melhorariam se ela engordasse. Face a este conselho, a família (diligente) levou-a a uma Nutricionista para lhe estabelecer um plano alimentar equilibrado. Não acreditando que, adolescente, a Ana cumprisse plano rígido, esticou-se um pouco a corda na dieta. E a Ana, fruto de personalidade obstinada e perfeccionista - e certamente para distrair o pensamento do sofrimento que a morte lenta da mãe lhe causava -, levou-a à risca. Levou-lhe a dieta 9 quilos e a saúde. Acha-se agora magra demais, com pouca convicção, e admite precisar de conversar sobre o que se passa na sua alma. Com pouco tempo mais disponível despedi-me, e marquei-lhe uma consulta para conversar um pouco melhor e perceber se a flexibilização da alimentação prescrita teria alguns resultados. Mas o que se passou com a Ana não deveria nunca acontecer aos 13 anos, e isso nunca será remediado... Fica a esperança que a saúde, pelo menos essa, lhe retorne. Em todas as vertentes.
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Hospital
domingo, 1 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
O tempo o dirá
A Sofia foi o fruto de uma decisão difícil. Foi-lhes dito, na altura em que se anda nas nuvens e não se imagina outra coisa que não a perfeição, que a sua filha por nascer tinha um problema. E, nessa altura em que o castelo desaba, em que lhes é perguntado se, posto isto, optariam por prosseguir a gravidez, a resposta foi "sim". Conhecendo os riscos, conhecendo os problemas potenciais e os prováveis. É talvez das decisões mais difíceis de tomar, e que ninguém tem o direito de questionar. E a Sofia nasceu, alguns meses depois, portadora de uma deficiência grave que lhe exigiu duas grandes cirurgias. E foi crescendo e aprendendo tudo passo a passo, entre as visitas frequentes a vários hospitais.E de repente aconteceu. De um momento para o outro, a Sofia não estava bem. Chorava muito, não respondia a nada, simplesmente não estava bem. Foi levada à Urgência, e ao chegar surgiam dados novos. A boca ao lado, a assimetria da face, a suspeita de que teria um AVC. Daquelas coisas que só acontecem aos velhotes, queremos nós achar. Mas não. A Sofia teve um AVC com ano e meio de vida, consequência directa do problema com que nasceu.
Depois vêm as perguntas, como vai recuperar, se vai recuperar, perguntas que nos fazemos a nós próprios, médicos, e que os pais nos fazem a seguir. Perguntas para as quais não há respostas, "só o tempo o dirá, mãe, temos que ter esperança e saber esperar"... E depois vem o agravamento, e já não é só a face é também o braço. E a ressonância magnética, péssima, horrível, desoladora. Meio cérebro morto "e a outra metade, doutor?", não sabemos, "pode recuperar tudo, às vezes é assim com as crianças", mas leram-me o desalento nos olhos, porque lhos mostrei. Porque não lhes posso prometer que sim, que vai ser bom, que vai correr e saltar daqui a uns meses.
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Hospital
domingo, 18 de janeiro de 2009
Keith
Keith Jarret, o mais bizarro pianista de todos os tempos, e há quem afirme o melhor. Mas está certamente lá em cima...
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Every other sunday Jazz
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Autoconfiança
Sabemos que o nosso filho é autoconfiante q.b. quando ao abrirmos a boca admirados com uma das suas saídas ele diz, com ar enjoado: "Qu'é?"
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Filho
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Resoluções

- Acabar com a procrastinação. Mas só a partir de dia 1. Ou 2, que 1 é feriado. 2 estou de banco... 3 estou de saída e é Sábado...
- Fazer tudo o que tenho em atraso de 2008. E de 2007. E de 2006...
- Ver o meu filho crescer
- Namorar nos intervalos
- É desta que o IMC vai ao sítio
- Fazer melhores resoluções de ano novo
FELIZ ANO NOVO!!
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Coisas
domingo, 28 de dezembro de 2008
Caos
Anda o caos instalado nas Urgências Hospitalares. Tanto nas de adultos como nas pediátricas. A alegada razão: gripe. Honestamente, recordem-se do que faziam os nossos pais e avós quando nós tinhamos gripe: davam-nos chazinho a beber (nas mais variadas versões, desde o clássico chá de casca de cebola ao cházinho da Milupa), qualquer coisa doce (mel, xarope de cenoura...), metiam-nos na cama e davam-nos um rolo de papel para o ranho. Depois mimavam-nos até mais não, tratavam-nos a febre com os antipiréticos disponíveis, e deixavam-nos exigir as mais variadas coisas à vontade, desde dormir como se não houvesse amanhã até ver desenhos animados o dia inteiro... E depois a gripe passava, nós voltávamos à escola, e comparávamos com os colegas as maleitas de que tinhamos sido vítimas. Não iam para as Urgências, entupir o Sistema Nacional de Saúde de ranho, e dessa forma comprometer a adequada e atempada assistência às crianças e adultos que delas precisam mesmo: aqueles que estão a morrer. Porque o que se passa hoje em dia é uma deturpação absoluta daquela que é a intenção da existência das Urgências Hospitalares: atender pessoas que correm, mais ou menos imediatamente, risco de vida, e aquelas que são referenciadas de outras unidades de saúde por não terem os meios complementares que consideram adequados para aquelas situações em particular...Conclusão: vive-se (e não é de agora) uma perversão enorme do sistema. Demasiadas pessoas recorrem às Urgências Hospitalares sem que efectivamente cumpram critérios para serem vistas nessas unidades, o que engrossa os tempos de espera e piora os cuidados prestados às que efectivamente necessitam de nós. O investimento tem que passar pelos Cuidados de Saúde Primários (Centros de Saúde, SAPs), mas isso é impossível de se concretizar se a população não perceber que está efectivamente a arruinar o sistema ao contornar a ordem lógica! O que acabará por acontecer, a este ritmo, é que os Hospitais vão ter que passar a funcionar com a porta fechada para o público. As inscrições nas Urgências serão limitadas àqueles que vêm em situação emergente (risco imediato de vida) e aos doentes referenciados de outras unidades de saúde. Para que isso não tenha que acontecer, a imposição da utilização racional do SNS, essa racionalidade tem que começar a existir por si...
Que sirva este desabafo para passar a mensagem a alguns...
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Hospital
domingo, 21 de dezembro de 2008
Três magos
Os três reis magos, num post jázzico de natal! Oscar Peterson a acompanhar magistralmente no piano dois génios do sopro, Stan Getz e John Coltrane!!
Feliz Natal!
Feliz Natal!
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Every other sunday Jazz
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